O Chico César mudou de uns tempos pra cá?
|
Claro. Só não muda quem morreu. Ulisses Guimarães está morto, PC Farias está morto, Freud está morto, Madame Satã está morrrrtaaa. Eu, particularmente, respiro e isso já me dá um alívio danado. |
E na MPB, o que aconteceu de uns tempos pra cá?
|
Marisa Monte e Vanessa da Mata somaram-se a Gal Costa, Eudes Fraga e Juraildes Cruz juntaram-se a Paulinho Pedra Azul, Cordel do Fogo Encantado a Quinteto Violado, KLB a Capital Inical. Puxa, aconteceram tantas coisas... |
Seu novo trabalho conta com duas regravações: Cálice, de Gilberto Gil e Chico Buarque, e A Nível De, do João Bosco e Aldir Blanc. Como você chegou à escolha dessas músicas?
|
Além das duas regravações, há uma versão de “Autumm Leaves”. São músicas que marcaram minha formação, importantes para o meu imaginário como artista. Como nesse disco quis, de certa forma, homenagear a música em si recorri com alegria a esse repertório que ajudou a me formar. |
Além de novo CD, você lançou recentemente seu primeiro livro: "Cantáteis – Cantos Elegíacos de Amozade". Como surgiu essa publicação?
|
O livro estava pronto já em dezembro de 1993. Eu é que não pensava em lança-lo. Não me sentia muito à vontade de lançar algo que não se apoiasse na música, assim só escrito. A insistência de amigos ligados à editora Garamond me fez repensar. Então revisei e, com alívio, vi que não causou muito estrago. Foi discreto e, em geral, as pessoas que leram falaram coisas boas a respeito. Recebi até convites para participar de um encontro internacional de literatura no começo do próximo ano. É interessante, outro universo que estou descobrindo. |
Em uma entrevista, você disse que Cantáteis é "um canto de amor e amizade a uma mulher". Quem é essa mulher e em que aspectos ela é importante em seu crescimento profissional?
|
Trata-se de Tata Fernandes, que depois tornou-se minha parceira e me ajudou a conhecer a cena alternativa de música na cidade de São Paulo. E também acreditar nesta cena, tão rica. Com o passar do tempo fui descobrindo que esse longo poema, mais do que para uma mulher, foi feito para minha relação com a cidade de São Paulo. Aí, sim, representada pela relação com a Tata, naquele momento. |
No final de 2005, você lançou um compacto com duas músicas. O que motivou a gravação de "Odeio Rodeio" e "Brega"?
|
O disco chama-se “Compacto e Simples” em homenagem aquele antigo formato de disco de vinil só com duas músicas, que eu penso que poderia funcionar como uma alternativa no combate à pirataria. Eu lancei pelo meu próprio selo, a Chita Discos, também como homenagem crítica à música ultrapopularesca. |
Você tem um processo de criação bem regrado? Como você compõe e escreve?
|
Meu processo de criação sempre foi bastante caótico e isso se agravou com as viagens constantes pelo Brasil e pelo exterior. Quando faço parcerias prefiro musicas letras já prontas e de vez em quando dou uma copidescada nos textos. O contrário, colocar letras em melodias, também faço mas sinto mais dificuldades. As canções que faço sozinho vou trabalhando letra e música ao mesmo tempo, normalmente. Mas no disco mais recente tem pelo menos duas músicas (“Pra Cinema”e “Por Causa de Ingresso do Festival Matou Roqueira de 15 Anos”) cujas melodias já estavam prontas há anos e até eram tocadas às vezes só como músicas instrumental. |
Como tem sido a receptividade do seu trabalho fora do país?
|
Há praças mais conquistadas, nas quais toco pelo menos uma ou duas vezes por ano, como Alemanha, Espanha, Portugal. E há praças novas, como Singapura, pra onde estou indo pela primeira vez agora. O mercado internacional tem sido ótima alternativa para se manter mais livre dentro da cena nacional. Quem não depende exclusivamente daqui pode ousar mais e não precisa se prender às amarras locais. Isto tem sido muito bom pra artistas que já apareceram no momento da globalização. E até mesmo para artistas de gerações anteriores que estavam um pouco à margem aqui no Brasil e bombaram lá fora numa cena específica de Londres, Japão, Nova York. |
Quais os nomes da MPB que você destaca de uns tempos pra cá?
|
Acho que Ceumar é uma de nossas melhores cantoras surgidas nos últimos tempos, ao lado de Virgínia Rosa, que vem de um pouquinho antes. Há excelentes músicos também. Um exemplo é o André Memari. O Daniel, filho da Tetê Espíndola, que não tem nem 18 anos ainda, acho que vai abalar como compositor daqui a pouco. Não demora e todo mundo vai percebe-lo. |
E nos próximos tempos, quais são seus planos?
|
Lanço agora meu primeiro DVD, tomando como base o show “De Uns Tempos Pra Cá”. No início do próximo ano quero colocar em disco um trabalho que venho fazendo ao lado do pianista congolês Ray Lema. E também estou musicando o livro “Cantáteis” pra colocar no palco e fazer um espetáculo litero-musical. |
O que voce quis dizer com "Os olhos tristes da fita" e "hospital da gente" na música beradêro do disco Aos vivos ?
|
A fita aí é fita cassete. Os olhos são aqueles dois buraquinho que ficam girando no gravador. A “santa” que inspirou o verso é a Elis Regina. O hospital da gente é aqui mesmo, onde a gente vive, com dores, analgésicos e curativos que a gente tem de trocar de vez em quando |
Chico César por Chico César......
|
Um rapaz da Paraíba que trabalhou com jornalismo e faz umas músicas aí. |