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Paullo Phirmo
Escritor |
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A Música Independe (nte) do Bras(z)il Independente como alternativa (o) ou como melhor opção. A segunda proposição assume os moldes de afirmativa no atual contexto fonográfico brasileiro; cada vez mais estruturado sob as bases da iniciativa e da auto-suficiência musical. No país, uma vez considerado independente, institui-se alternativo. Na música isto é claramente um fato. Mas como um mercado musical notadamente rico em termos de diversidade, encontra espaço para a existência (sobrevivência) do alternativo? Em outras palavras, por que não há espaço suficiente para a variedade? Poder-si-a pensar que, em meio a tanta produção e tanto público potencialmente apreciador, o que hoje é tido como alternativo, manifestar-se-ia como regra, norma, padrão de consumo. Haveria assim, espaço para todos. Aculturados que nos tornamos, deixamo-nos levar, ou melhor, (quero dizer, pior), conduzir por padrões externos, percepções culturais alheias que embora de grande valor e de cunho universal, vêm de fora não refletindo e ou expressando propriamente a apreensão da (nossa) realidade. Em hipótese alguma assumo aqui uma postura protecionista do mercado fonográfico brasileiro. Melodia e letra universais são como tal e ponto. Pouco importa sua origem. Todavia me refiro à importação de percepções musicais, possibilitando que a nossa imensa diversidade cultural expressa pela musica, se torne “dispensável para consumo”. Desse modo, as grandes gravadoras, os músicos (cantores, compositores, instrumentistas, etc.), o consumidor de música, enfim o mercado fonográfico em geral, opta a partir do conjunto de normas e valores (cultura) de outros. E assim, a nossa diversidade permanece “sub-absorvida”, seja por estar sub-serviente, seja por ser ainda, sub-inteligível para grande porção do público; indiferente se “letrados” ou não”. Torna-se evidente considerar que complexas questões, causas e conseqüências estão aqui envolvidas. Objetivo é ilustrar um quadro. Um recorte de um gráfico tão largo quanto potencialmente produtivo, em termos de mudança. E é para esta mudança que foco aqui. A transformação para qual toda alternativa direciona. De maneira direta ou indireta, de modo explícito ou implícito. E tal característica apresenta-se nesse meio musical; no espaço atemporal por excelência, da música independente do Brasil. Sem meio de expressão justo e adequado, sem possibilidade factual de produtiva absorção, sem real incentivo, a música independente “toca”, mas ainda destoa de tudo que poderia vir a ser, representar e fomentar. Não se pode deixar de evidenciar, que nesta conjuntura independente, há a música que também fora do contexto (o contexto comercial), por falta de espaço, mas que, não optaram por uma proposta construtiva e assim dão apenas a sua versão do considerado comercial, fútil e superficial. E, guardadas as devidas proporções da comparação (meramente ilustrativas) existe o “leão em pele de cordeiro”. Ou seja, existe o que na essência, é alternativo, independente no campo da identidade musical, mas não em sua expressão comercial; que alcança os patamares estabelecidos pelo mercado. Estes “leões”, por questões históricas, foram absorvidos, ou mais propriamente, galgaram o seu espaço. Em suma, considero que o ponto chave aqui é que a música independente do Brasil, hoje, em uma grande fatia representativa, põe-se a caminho da beleza e da criatividade construtiva, mesmo que sua expressão não resulte ainda em representatividade comercial. Procuram - característica da inventividade miscigenada tupiniquim - exaltar a possibilidade, a ação e os sentimentos de forma edificante plenamente concorrente com o crescimento e valorização do humano e sua cultura. E o fazem por meio de novas mídias, as quais constituem-se em verdadeiros veículos libertários de uma nova força. Neste novo mundo, como sabido, no caminho e na bagagem destes artistas não há mais (se é que houve um dia) uma grande gravadora oferecendo todo um suporte. Estão, portanto, ao doce e produtivo sabor da sua própria iniciativa, da aplicação prática, na saudável exploração de sua arte. Logo há muito mais liberdade de criação e exposição. Nesta proposta, a tecnologia ajuda busca encobrir o buraco deixado pela inexistência de ação de uma grande gravadora. Aliada a esta ação e proveito tecnológico, muitos independentes assumem outras funções, não se restringindo à explicitação visceral e inventiva de sua arte. Há produtoras criadas e dirigidas por cantores/compositores que assim direcionam suas carreiras de modo mais inteligente e libertário. A exemplo, Marcelo Quintanilha, Vania Abreu, Nô Stopa, Cássio Carvalho, Cris Aflalo, Zé Guilherme, Alexandre Leão, Péri, Vinil69 entre tantos outros... Vestem esta não tão nova faceta da música independente do Brasil e apesar das dificuldades, procuram viver de música, de forma digna e ainda contribuindo para uma mudança perceptiva, uma transformação no enxergar e agir frente às mais diversas esferas relacionais existentes na vida do ser humano no planeta (com quem/o que) habita. Particularmente, sem intenção prévia uma vez que só consigo consumir o que conquista a minha percepção, posso atestar, que a predominância (se não a totalidade) do que consumo ou mais assertivamente, do que apreendo da música e seu mercado, vem deste universo independente ou mesmo denominado alternativo. Considero então que música independente do Brasil é clara representação de tempos de revolução. Pacifica, artística, bela, mas plenamente efetiva. Parodiando os dizeres às margens do Rio Ipiranga, “Independência e música!”. |
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