Antonio Carlos da Fonseca Barbosa
Jornalista, músico e poeta paraibano.
 
Antonio Carlos da Fonseca Barbosa
Quem escutará meu CD? Essa é a grande dúvida do artista.

Já houve uma época que lançar um disco (LP) era motivo de orgulho e motivação para fazer muitos shows. Quando um artista lançava um disco tinha a atenção e o respeito dos colegas de profissão que exigiam uma primeira audição. Nesse tempo áureo o primeiro disco era uma realização semelhante aos 12 trabalhos de Hércules.

 

O novo milênio trouxe a afirmação do novo formato físico disco, saiu o LP e reina o Compacto Disco (CD). E a cena musical independente se tornou uma opção real(única) para quem não tem contrato com gravadora multinacional e nacional. O músico passou a ser dono do seu produto artístico(gravação, confecção e distribuição do seu disco). Mas esse “pulo do gato” da sobrevivência dentro do mercado fornográfico trouxe uma demanda maior de músicos para o mercado influenciando no equilíbrio da oferta e procura. Antes o que era raro(gravar um disco) virou lugar comum. A maior oferta e variedade de artistas vendendo seu produto(CD) fez o ouvinte “desconfiar” que o tal “dom artístico” pode ser acessível a mais pessoas, ditas comuns. Não quero enveredar pelo o análise do valor cultural e estético, da diversidade de gêneros musicais e da qualidade técnica de gravação das obras. Mas analisar a dificuldade de um músico em ter seu CD escutado pelo público e outro artista. O lado, aparentemente positivo, da maior oferta de produto(CD) não refletiu em uma maior aceitação da mídia nem do público. Aumentou a oferta para as rádios e a mídia. E o processo de seleção de pauta na mídia se tornou tarefa árdua: maior exigência de qualidade e originalidade e suspeita: jabá ou vínculo de amizade ou mera sorte: estar no lugar certo, na hora certa, em frente da pessoa certa (influente). E público coloca todos os artistas no saco da baixa qualidade. Sob o julgamento: “Se todo mundo pode gravar, então

não presta”.

 

Conseguir que um artista famoso (ou que já esteve na fama) ouça seu CD pode ser mais difícil que ouvir sua música tocar no rádio. São vários os motivos: falta de tempo(agenda cheia), medo da concorrência ou o superego (sou Deus). Deixe o CD mostrando sua admiração e identificação a obra do famoso sem expectativa de retorno. O mercado musical é igual a qualquer outro, ninguém quer dividir a fatia do bolo. No caso do compositor, faça o primeiro contato para saber o interesse e só envie as musicas depois. O melhor alvo é o cantor(a) que não seja compositor(a). Não que um cantor(a) que compõem não possa se interessa em gravar outro artista ou iniciar uma nova parceria. Compor junto é literalmente e juridicamente um casamento. Antes tem flerte, namoro e noivado. E depois tem as obrigações e divisão de direitos autorais. Nas duas situações expostas, mesmo se tratando de um produto artístico, é bom dosar a emoção (admiração) com a razão (negócio). Separe a valor da obra do caráter do criador. Espere e aprenda superar os “nãos”. Em alguns gêneros musicais (que geram muito dinheiro) montar um repertório para o CD de um artista famoso pode ser uma guerra em que vale tudo sem pudor. São mil interesses financeiros envolvidos (produtores, gravadoras e mídia). Saiba que estar entrando em um deserto de princípios éticos. Esteja armado até os dentes e com a disposição de vender a mãe, mulher e filhos. Pode acreditar: A fama tem seu preço e muitas vezes pode ser alto.

 

Quem escolhe a música como ofício deve conhecer bem o mercado de CD e show. E se enquadrar ou criar novas alternativa. Entender as regras do jogo é o primeiro acerto em qualquer profissão. Profissionalismo, criatividade e originalidade são qualidades indispensável, mas não é garantia de sucesso. Ter o nome maior (fama) que obra (qualidade) ou a obra maior que nome é uma escolha primordial e inicial. No mais, boa sorte!

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