Marcelo Abud
Professor de Criação e Produção de Áudio da UNIP e sócio da produtora de áudio Peças Raras.
 
Marcelo Abud
Experimentação dá o Tom em documentário

Estréia neste fim de semana nos cinemas Fabricando Tom Zé, de Décio Matos Jr. .

 

Depois de ter sido exibido com sucesso na Mostra do Rio e de ser premiado na Mostra Internacional de São Paulo, chega às telonas nesta sexta, dia 13 de julho, o documentário Fabricando Tom Zé. Coordenado, dirigido e roteirizado por Décio Matos Jr., o filme mostra que aos 70 anos o músico baiano é admirado tanto no Brasil como no exterior.

 

Fabricando Tom Zé estréia inicialmente em 12 salas e apresenta uma linguagem que mescla diferentes formatos cinematográficos, incluindo animação, imagens capturadas em vídeo e película. A opção por esta diversidade, segundo o diretor, faz alusão à experimentação de Tom Zé e, também, deve-se ao fato de o material ter sido capturado durante a realização da turnê do artista pela Europa. As gravações aconteceram nos shows da Itália, Suíça e França.

 

O resultado pode ter mais uma interpretação. As imagens em Super-8 traduzem nostalgia e as animações, modernidade. Ou seja, Fabricando Tom Zé reproduz em sua linguagem audiovisual aquilo que a obra do músico traduz ao cenário da nossa música.

 

Décio Matos Jr. afirma ter ficado impressionado ao ver que Tom Zé chega a fazer shows no exterior para cinco mil pessoas e, segundo ele, conseguir fazer “os europeus cantarem em português, sem sotaque”. O que fascina o público em Tom Zé são a espontaneidade e a descontração levadas ao palco.

 

O documentário está sendo produzido desde 2003 e inclui vários depoimentos de Tom Zé, além da palavra de pessoas que foram importantes ou que influenciaram na evolução do artista. Entre eles, Caetano Veloso, Gilberto Gil, David Byrne, Arnaldo Antunes e o crítico Tárik de Sousa.

 

O filme entra em cartaz simultaneamente em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Belo Horizonte. Na pré-estréia que aconteceu no início desta semana no Rio, Tom Zé declarou ao Caderno B do Jornal do Brasil, em matéria assinada pelo repórter Marcelo Migliano, que recorreu à mulher para lembrar de sua trajetória e revelou que não censurou cenas do filme.

 

Tom Zé afirma na reportagem: “sou péssimo compositor, instrumentista e cantor. Não tenho nada de gênio, mas muito de japonês. Trabalho às vezes 24 horas para tirar 3 acordes que prestem. Fica o limite entre a música e o ruído”. Ele ainda desabafa ao dizer que só após virar cult fora do país é que o Brasil voltou a ter curiosidade em relação à obra dele.

 

É ver e conferir a imagem do som de Tom Zé nos cinemas.

 

Marcelo Abud é professor de

Criação e Produção de Áudio da UNIP – Universidade Paulista –

e sócio da produtora de áudio Peças Raras.

abud@pecasraras.com

 
   
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